domingo, 22 de março de 2015

MAIS INFORMAÇÕES PARA FIGURAÇÕES ESPECIAIS



UM HOMEM 20 a 35 ANOS
porte não encorpado, entre 1,75 e 1,85 m
DUAS MULHERES, 18* A 25 ANOS
porte  físico não relevante

EXCEPCIONLMENTE PARA ESTA PRODUÇÃO PODEM VIR A SER CONSIDERADAS INSCRIÇÕES DE JOVENS FEMININAS COM IDADE A PARTIR DOS 15 ANOS, QUE FREQUENTEM ESCOLAS PÚBLICAS OU PRIVADAS COM RECONHECIMENTO ESTATAL, DE TEATRO OU OUTRAS ÁREAS CÉNICAS E MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO ESPECÍFICA DOS RESPONSÁVEIS PELA TUTELA DOS MENORES ACOMPANHADA DE IDÊNTICO DOCUMENTO DA ESCOLA QUE FREQUENTAM.


DATA LIMITE PARA INSCRIÇÕES: 20H00 DE 24 DE ABRIL DE 20H00
 ENVIAR  MAIL COM NOME, CONTACTOS, FORMAÇÃO ACADÉMICA E EXPERIÊNCIA TEATRAL PARA


AUDIÇÕES PREVISTAS PARA 28 DE ABRIL DE 2015 A PARTIR DAS 14H00 NA ACT – ESCOLA DE ACTORES, NA LXFACORY, ALCÂNTARA. COM TEXTO A FORNECER APÓS INSCRIÇÕES. ESTE TEXTO DEVE ESTAR MEMORIZADO E OS RESUTADOS SERÃO COMUNICADOS POR MAIL ATÉ AO DIA 02 DE MAIO. OS SELECCIONADOS SERÃO INFORMADOS DE HORÁRIOS E DATAS DE ENSAIO.

AS CONDIÇÔES EM DETALHE SERÃO DADAS NA PRÓPRIA AUDIÇÃO. TODAVIA INFORMA-SE QUE NESTA PRODUÇÃO NÃO HÁ LUGAR A QUALQUER TIPO DE REMUNERAÇÃO OU SUBSÍDIOS DE TRANSPORTE OU OUTROS: NÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS FIGURAÇÕES, MAS PARA TODO O ELENCO E DEMAIS INTERVENIENTES. SALVO EM CASO DE POSTERIORES DESLOCAÇÕES.

os ensaios previstos para as figurações não deverão ser superiores a um total de 12 horas, distribuídas pelo período de 15 dias que antecede a estreia. as sessões estão previstas, nesta série, para o auditório da livraria “ler devagar” na lxfactory, em lisboa, alcântara, no limite de 12 de maio a 30 de junho alternando terças e quartas, com o horário a público de 19h00 e presença obrigatória dos actores com um mínimo de 40 minutos antes. a duração do espectáculo está calculada entre 75 e 90 minutos.

Mais informações sobre dogma\12 e esta produção, a partir de 22 de março em http://estúdiodogma12.blogspot.pt/

sexta-feira, 20 de março de 2015

AUDIÇÕES FIGURAÇÕES ESPECIAIS



UM HOMEM 20 a 35 ANOS
porte não encorpado, entre 1,75 e 1,85 m
+
DUAS MULHERES, 18 A 25 ANOS
porte  físico não relevante



INSCRIÇÕES E MAIS INFORMAÇÕES ATRAVÉS DE ENVIO DE NOME, CONTACTOS, IDADE, FORMAÇÃO ACADÉMICA E EXPERIÊNCIA TEATRAL RESUMIDA PARA
A partir de 22 de Março também pode consultar http://estudiodogma12.blogspot.pt/



DATA LIMITE PARA INSCRIÇÕES: 20H00 DE 24 DE ABRIL DE 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Mr. Guantanamero e as suas Gémeas Queridas


A PARTIR DE 12 DE MAIO (a confirmar data): LXFACTORY, LISBOA
AUDITÓRIO DA “LER DEVAGAR”
TERÇAS E QUARTAS, ALTERNADAMENTE, SEMPRE ÀS 19H00.



Interpretação de Fernando Soares
Texto e Encenação de Castro Guedes
Figuração em Distribuição

Uma Palestríade Teatrale de alto suspense em corpus sano in mens insana. Ai o desejo de ir vareidar para Cuba por causa dos ossinhos do pai, que parecia um porco cevado no desembarque. Ai o irmão pendurado no antepenúltimo avião fugido de Saigão, depois feito Amish na Pensilvânia após vender os isqueiros zippo que atirava acesos à cabeça dos chinocas em Chinatown. Ai a Mamita, muito amiga de Felinguetti e Ginsberg a ler poemas para adormecer os filhos. Coitadinha, marxrtingou-se na Shell, mas sempre muito muito coerentânea com as conchas. Mas ai, ai, ai… Ai sobretudo as suas gémeas queridas! Nem pode falar nelas, que chora: igualinhas... E mesmo assim vive dilacerado sem saber se tortura de dia para o Zorro 384, seu nickname, poder denunciar as barbaridades à noite no Facebook ou se o Zorro 384 serve para aliviar as barbaridades que comete para os escondidinhos dizerem o que necessário que digam.



Cerca de 75 minutos, em acto único, para maiores de 16 anos


Em busca de um teatro da autoconsciência emancipada, com muitas perguntas, sem respostas ou receitas para impingir, onde os paradoxos denunciam a ambiguidade de uma sociedade ideologicamente contaminada, sem rumo certo, nem incerto, mas, ainda assim, capaz de se indignar com a tortura e outras aberrações inaceitáveis, sejam elas perpetradas por grupos terroristas ou o terrorismo de Estado.


  

Fernando Soares iniciou-se como amador em 1984, tendo percorrido uma longa carreira até decidir transformá-la em profissão, a partir de 2004. Licenciou-se então pela Escola Superior Artística, do Porto, em 2011. Integrando, com carácter de free-lancer, diversas produções em vários grupos do Norte, mantém os seus próprio projecto, a partir de Penafiel, com grande incidência quer na área da Poesia e para o Público Escolar. Antes já leccionara a disciplina de Expressão
Dramática no Ensino Oficial e merece ainda destaque o trabalho teatral realizado com reclusos penitenciários durante 6 anos.



Castro Guedes, natural do Porto, 1954, estreou-se como actor amador em 1967 e profissional em 1973. Como encenador a sua primeira experiência data ainda de 1972, assinando profissionalmente a primeira em finais de 1977. Fundador e Director Artístico do Tear, passou por diversas estruturas do país como encenador convidado e assumiu também a Direcção Artística de algumas outras estruturas. No total terá dirigido perto de 1.000 intérpretes em mais de uma centena de obras. Na temporada 88/89 foi estagiário de Jorge Lavelli no Théâtre National de La Colline. É Mestre em Artes Cénicas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, antes, frequentou Filosofia e Direito. De muitas outras actividades no âmbito da formação, direcção e participação em organismos culturais, destaca-se presentemente a colaboração regular no Jornal “Público” e no quinzenário “As Artes Entre As Letras”. Além, evidentemente, da fundação e Direcção Artística de Dogma\12.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A arte no labirinto contemporâneo



CASTRO GUEDES 
06/01/2015 - 05:54
OPINIÃO
Na verdade estamos todos presos num imenso labirinto! Em que também a arte está enredada, quando se propõe assumir um papel de consciência crítica.
Até ao último quarto do século passado, o posicionamento pensante do criador perante o mundo era relativamente dicotómico. Ou se afastava das problemáticas sociais, existenciais e humanas ou as abraçava.
Normalmente, neste caso, identificando-se num "grupo": político, ideológico, ético, estético, religioso. Não de forma necessariamente antinómica, mas, de qualquer forma, antecipando a síntese à equação dialéctica. Isto é: a formulação da tese e da antítese era construída – ou melhor dito, apresentada – de tal forma que a síntese estivesse supostamente já demonstrada como resultado, quando, afinal, era tese.
De tal forma a coisa era que, apesar das intermináveis polémicas, sobretudo à esquerda, a contiguidade entre uma "arte" de propaganda e uma arte de crítica social era tão forte que não é difícil encontrar em criadores teoricamente defensores da segunda exemplificações de grande proximidade ou de mergulho na primeira. É, por exemplo, o caso de vário teatro (1) de Brecht, em que o organon sobre o que o próprio apelidou de teatro épico se lhe escapa em obras como As Espingardas da Mãe Carrar ou Os Dias da Comuna ou mesmo a mais consistente Terror e Miséria no III Reich, que, em nome do historicismo documental, mais são elementos de catequese. Ou mesmo, mais remota e hibridamente, em A MãeSanta Joana dos Matadouros ou A Excepção e a Regra, por exemplo. Para já não falar de simplificações, algo medíocres, como O Que Diz Sim e o Que Diz Não. São obras que nada têm que ver com a complexidade e reflexão em aberto, pré-anúncio do conceito de Rancière de “espectador emancipado”, de uma Mãe CoragemO Círculo de Giz CaucasianoA Boa Alma de Setzuan e outras, tendo como paradigma maior A Vida de Galileu Galilei.
De certa forma neste mesmo autor, mas ainda mais em outros e de estilos diferenciados, como Sartre, Sastre ou Osborne, a abordagem dialógica e/ou de dialéctica irresolúvel fugia dessa zona raiana de dramaturgias, visivelmente "classificável" como de crítica social, apenas excluída daí pela ortodoxia de um “realismo socialista”. Porém, se nem tudo era, nem nunca foi, a preto e branco, pode-se dizer que, se azuis, entre o azul-escuro e o azul-bebé era fácil distinguir. Nada disso é comparável com a complexidade, em todas as áreas, em que se vive hoje, numa mitigação de conceitos e temas e numa contaminação de estéticas e éticas de difícil fronteira. Na verdade, estamos todos presos num imenso labirinto! Em que também a arte está enredada, quando se propõe assumir um papel de consciência crítica, sem ser de propaganda ou de temas marginais, arriscando-se a ser nanominoritária. A inércia do pensamento é transversal: poucos são os que se querem confrontar com a própria realidade em toda a sua dimensão e consequências. A começar pela que hoje é central: a subjectiva implicante da acção objectiva, implicada na (in)consciência colectiva. A responsabilização do outro é uma panaceia para desresponsabilizar o próprio.
Perante tal cenário, se ceder ao ar de época é capitular e perpetuar o padrão, ignorá-lo traz isolamento. Além de que o "agit-prop" contemporâneo é mais um "agir-pop", completamente inconsequente e maioritariamente impregnado da mais ínfima qualidade conceptual e técnica. O próprio conteúdo é formal, além de muito mau é inconsequente, porque nada acrescenta no final ao com que se iniciou a assistir ao objecto artístico. Portanto, forma e conteúdo – mais ainda do que tratados à luz de Lukács, antes em termos absolutamente inéditos e, quando muito, herdeiros de Gramsci ou adivinhados, de forma indirecta, por Benjamin e Fisher – revertem num exorcismo fechado, espécie de psicotrópico ideológico e criatividade nula.
Ainda que uma resposta a uma nova situação se faça por tentativa e erro, parece incontornável começar por assumir o impasse e, percorrendo o labirinto, aceitar que só chegue a 500 ou 300 ou 100 espectadores! É melhor agregar à reflexão despreconceituosa (e até autocrítica não folclórica, mas silenciosa) esses – que a podem amplificar mesmo fora do âmbito da fruição artística ou do "grande gesto" – a obter aplauso entusiasmado de 5000 ou 30.000, que seja, ou 100.000 que fosse, que se "limitam" a "confirmar" as suas posições, perpetuando, por afastamento, a inércia dos demais e os vícios de si mesmos e suas jeremiadas, sem se ter operado transformação nenhuma sobre o conhecimento sequer do próprio.
Singular, a desafiar o impossível, um novo Teseu, para penetrar na Cnossos deste Minotauro, tem de aceitar o labirinto como caminho inevitável. E se não conseguir encontrar a saída, pode repetir com Apolinário: “Mas que me fique ao menos a consciência, de que tentei romper esta muralha”: [https://www.youtube.com/watch?v=HhAGYFIhrO4 ].

1) Exemplifico com teatro tão-só por ser a minha área e, consequentemente, a que me permite argumentar com mais conhecimento de causa. Mas não duvido de que, mais nuance, menos nuance, é aplicável a todas as outras.
Encenador, director artístico de Dogma\12

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EMPREENDER PELOS OUVIDOS*

CONJUGAÇÕES AVESTRUZAS


EMPREENDEDORISMO CULTURAL!


QUE É LÁ ISSO?... 
E a propósito…
Não estou certo... Mas julgo que empreendedorismo cultural tem a ver com empreender. Isto é, o que andam a empreender as gentes da cultura. Empreender no sentido em que na minha terra é sinónimo de cismar. Ou seja, o que se pode fazer com a cultura. Ou o que não se pode fazer. Ou, ainda, o que lhe podem fazer.
É certo que cada época tem o seu léxico. Quando o CDS era pelo socialismo personalista ou quando o PCP era revisionista porque não suficientemente revolucionário... Era o PREC. Ou a era do PREC, como queiram. O léxico pode ser mesmo uma forma arqueológica de datar documentos: dissecando-o, independentemente do conteúdo. Em sociologia histórica é tão ou mais garantido que o recurso ao carbono na física arqueológica.
Todavia, empreendedorismo cultural também pode ser o do ex-banqueiro (ou, não sei, ainda banqueiro?) Salgado, que foi doutor honoris causa pelos serviços prestados à cultura e à economia. O que está completamente certo. Não é ironia. Sobretudo se cultura se entende num sentido mais lato. Neste caso, a dos empreendedores. Traduzindo empreendedores por empresários de sucesso, à luz do léxico-palavreado actual. O sucesso que nos sucede, claro. Ou seja, o da sucessão de factos que têm vindo a acontecer à cultura. Que bem justificariam o carácter cultural do velho Mercado do Bom Sucesso no Porto! Sucesso, mercado, tudo bom!
Daí que não seja de admirar se, amanhã, for privatizado o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Para ser rentável num empreendimento cultural, como um Hotel, por exemplo. Trata-se da batalha contra o déficite. O déficite cultural de quem nos governa para nos recuperar do léxico do PREC.



Ou, porque não?, também o Museu Nacional de Arte Antiga na saga de reformas estruturais modernas.


Ou a concessão do Teatro Nacional de São Carlos. Será a prova irrefutável da flexibilidade de um poder político, não autoritário. Antes disponível para concessões a quem opera em operações de êxito. Ou êxodo, palavra cognata daquela.



Ou, já agora, igualmente o Dona Maria II transformado em Parque de Estacionamento privado de automóveis. Porque de espectáculos privados há muito que o é, desde que desapareceu a Companhia e tudo ficou mais só. Embora também se possa pensar no resgate soberano dos estábulos da Inquisição por uma Companhia. Uma Companhia de petróleo, por exemplo, que conhece os cavalos dos automóveis que por lá vão passando.


Mesmo assim guardo a secreta esperança de que ninguém mais, da cultura – da outra de que Goebbels não gostava - empreenda pelos ouvidos, tal é a criatividade destes artistas da gestão.

Ou congestão cultural súbita. Seria uma mais-valia para audições, audiências, auditorias e auditórios. Mais valia que estivessem surdinhos.


  (Artigo de Castro Guedes, Director Artístico de Dogma\12, no Jornal “Público” de 9 de Novembro de 2014)

*Ilustrações deste Blog, não constantes da edição do jornal.